6.3.09

Prova do Líder

O reality show mais famoso do Brasil está ensinando um conceito de liderança. Explico: A convivência dentro da casa se mostra como uma guerra sem trégua, semelhante à vida selvagem dos animais que tem que matar para viver. E é nesse contexto que a liderança da casa surge como o prêmio mais cobiçado e a mais eficiente arma de guerra para fuzilar o adversário no paredão de execuções e continuar dentro da casa concorrendo ao prêmio final.

Ser o líder do BBB só é possível quando se ganha uma prova de resistência ou sorte. Aquele que ganha a prova do líder merece imunidade, privilégios, conforto, direito a indicar seu maior adversário ao paredão de execuções e passar mais dias na casa. Esses direitos definem o que é ser líder. Assim, ser líder é aquele que mata para viver, exclui para ser exclusivo, tem direitos e nunca deveres, é servido pela bajulação e nunca serve para não ser traído, é poderoso e nunca amoroso, vingativo e nunca reconciliador.

A sabedoria popular já nos diz que o verdadeiro caráter de uma pessoa é conhecido quando a pessoa está no poder.

Jesus apresenta seu caráter quando nos ensina um paradigma de liderança extremamente contra a cultura desse reality show. Jesus mostra qual é a prova para saber quem é o verdadeiro líder segundo os critérios do Reino de Deus: Servir. Esta é a prova. Jesus mostra quem é o líder quando fica despido da cintura para cima, de joelhos aos pés dos seus discípulos, com uma bacia de água na mão e toalha na outra. Lavar os pés calejados, sujos, descascados, feridos, empoeirados pelos (des)caminhos da existência. Esta foi a atitude que aprovou e definiu a liderança de Jesus como o líder-servo de todos.

A cena do lava-pés chama a minha atenção por dois motivos: Primeiro, o serviço de lavar os 24 pés acontece um pouco antes de Jesus ser preso e abandonado pelos que tiveram seus pés limpos pelo serviço do amor. Pedro e Judas que o digam. Mesmo sabendo que iria ser traído e abandonado, mesmo assim, Jesus lavou os pés dos seus aprendizes imaturos, críticos, confusos, incrédulos, frouxos, covardes, medrosos, traidores, e fugitivos até tocarem no Cristo ressurreto.

O que também me chama mais atenção no lava-pés é o que também mais intriga. Pedro rejeitou o serviço de Jesus, julgando–se não merecedor de tal serviço, ao que recebeu como resposta de Jesus: "Se eu não os lavar, então você não terá parte comigo". A resposta é a mais absurda e extremada reação contra a cultura do líder BBB. Jesus estava ensinando que as únicas pessoas com quem podemos nos relacionar são aquelas a quem lavamos os pés. Ou seja, se você não está disposto a servir, será impossível conviver e suportar as pessoas em suas imperfeições e crises. Você só pode se relacionar com quem quer que seja se estiver disposto a serví-las.

É exatamente isso que devemos fazer para prevenir, preservar e consertar relacionamentos: Servir. Assuma o lugar de servo e faça o que ninguém gostaria de fazer. Servir ou o fim do relacionamento. Servir ou viver enterrado no caixão soltário do seu egoísmo mesquinho. Servir ou carregar uma bagagem cheio de memórias de mágoas e tatuagens de ressentimentos profundos no coração. Servir ou matar o outro pela omissão do serviço.

Servir: Esse deve ser o critério para ser líder. Assim, o líder segundo Jesus é aquele que jamais exclui alguém de casa; antes serve para prevenir, preservar e consertar os relacionamentos, em vez de descartá-los e jogá-los fora. Sirva. Pois quem não vive para servir, não serve para viver com você.

Assim, quem deseja conviver com a mesma pessoa, pela mesma estrada da vida, por longos anos, precisa saber que em alguns trechos deverá levar seu par no colo, lavar seus pés empoeirados e feridos, conduzí-lo à trilha do caminho da vida, andar no mesmo caminho, mesmo que em passos diferentes; enfim, servir, sob pena de seguir viagem sozinho, ou com uma pessoa desconhecida ao lado, cujo fim é a solidão e a morte.

Em Cristo, que veio para servir e não para ser servido.

Jairo Filho

Quer ler o texto completo na íntegra? Acesse: www.blogdojairofilho.blogspot.com

3.3.09

Coisas que ninguém merece

Sei que há de concordar comigo que acontecem esquisitices na vida das pessoas, principalmente entre aquelas que se julgam normais. Importunações nem sempre declaradas, porém, inevitáveis. Parece moço ciumento no pé de menina bonita: não desgruda e quando some é por que já encontrou outra gatinha para atazanar. São coisas imerecidas, repelidas por qualquer ser de bom senso. Sim, devemos chamá-las estúpida e elegantemente de “coisas”, para evitarmos termos como banalidades, bizarrices, blasfêmias ou baboseiras. Cito, com a aprovação certa da grande maioria de meus leitores, coisas que ninguém merece:

Nariz entupido; xaveco furado; presunto vencido; peido fedido no pós-almoço de domingo; ficar na fila do cinema esperando a sala abrir; fila de banco, de lotérica, fim da fila, fim da festa, fim de amores; privada mal-cheirosa; férias em casa; não ter férias; briga de vizinho; briga de casal; parente desabrigado; chuva na praia; ser o último a ser escolhido para jogar no time de futebol; fazer gol contra; perder pênalti; ficar no banco de reservas; trocar pneu de carro em dia de tempestade; ganhar meias de presente; vírus no computador; morder a própria língua; barata; pernilongo; pasta de dente na camiseta minutos antes de sair de casa; pobre que se acha rico e rico metido; invasão de privacidade; mudar de cidade; esquecer-se da idade; cabelo duro; pão duro; dedo duro; chulé (em todos os casos e descasos); qualquer tipo de reprova, inclusive reprova em vestibular; beijo babado, gosmado, catarrado; piada sem graça; levar um, dois, três foras da paquera (pior: se acostumar com eles); segunda-feira; segundo lugar; estar com pressa e se esquecer do mais importante; chapinha no cabelo e chuva de surpresa; ir ao mercado e perder a mãe; perder a parte principal de um filme; perder o namorado; perder o ônibus; perder uma boa oportunidade, o sorriso, o juízo; perder o ingresso do show; perder o dente; perder a unha do dedão do pé; perder dinheiro; perder-se.

É claro que faltaram ainda 12.237 coisas que ninguém merece não citadas aqui, das quais não fiz questão de me lembrar ou de procurar em mim ou nas outras pessoas. O fato é que essas coisas não saem da moda. Sinta-se orgulhoso se você é uma de suas vítimas. Você é pop, é top, é refinado, gente, espécie brasileira. Estar coisado é a inclinação do momento. No entanto, essas coisas não duram eternamente. Passa e passa. Vem e desleixa. Desenrela. Que bom que tudo nesse mundo passa depressa, seja a graça ou a desgraça. Não há nada tão ruim que não possa ser piorado. Não há nada tão ruim que não possa ser superado.

11.2.09

“Então os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros; o Senhor atentava e ouvia...” Ml. 3.16

Ultimamente, tenho refletido muito sobre a oração, pois percebo que a maioria das orações que faço e das orações que são feitas nas igrejas são meros jargões, são vãs repetições, são ferramentas litúrgicas usadas apenas para fazer a transição de uma leitura bíblica ou de um momento para o outro durante o culto. Outro elemento que ultimamente prende a minha atenção é a maneira como me expresso, ou seja, tudo aquilo que eu falo, tudo aquilo que sai da minha boca, todas as minhas palavras e gestos que servem de instrumentos para a minha comunicação com a sociedade.

Destaco esses dois elementos, oração e o falar, pois nesse texto de Malaquias aprendo o modelo da verdadeira oração. O texto diz que os justos conversavam, e Deus atentava e ouvia as suas conversas. Tudo aquilo que eles falavam, tudo o que diziam um para o outro. Ora, não seria esse o processo da oração?
Claro que sim. Quando oramos, estamos falando com Deus e Ele está nos ouvindo, pelo menos, essa é a definição tradicional sobre a oração. O que ocorre nesse texto é exatamente o que ocorre na oração, só que eles não estavam tradicionalmente orando eles estavam apenas conversando. Todavia, Deus não fez nenhuma distinção, pelo contrário, Ele atentou à conversa dos justos como Ele atenta para a oração, pois acredito, com base nesse e em outros textos, que Deus não faz separação entre nossa conversa e nossa oração.

O que falamos, ou seja, a nossa conversa é tão importante que Paulo, ao falar sobre isso em Efésios, alerta os cristãos dizendo: “deixem a mentira e falem a verdade uns com os outros (4.25); Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe (4.29); coisas sensuais, inconvenientes (5.4)”. A proposta é que falemos uns com os outros através de salmos e cânticos espirituais. Na realidade, quer dizer, que nossa conversa deve ser sincera como os salmos são sinceros e profundamente santa, pois Deus está diante das nossas palavras, atento a tudo o que falamos como uma oração.
Por essa razão, entre nós não se deve nunca nomear coisas banais e comuns, como é de costume dos pagãos, pois orar não é só falar com Deus, mas é também falar com o próximo.

30.1.09

Assista o Big Brother Brasil

Assista o BBB e aprenda que a vida é um jogo e uma guerra; e que as pessoas com quem convivemos não passam de nossos inimigos e adversários.

Assista o BBB e aprenda que 1 milhão de reais vale mais do que um bom relacionamento com as pessoas. Se a vida é uma competição e o prêmio é muito dinheiro, então se apresse para aprender a arte da guerra contra o próximo no BBB. Assim, o próximo é considerado apenas um trampolim utilitário para se ganhar muito dinheiro.

Assista o BBB e, inconscientemente, você sairá da sua casa e da sua vida real para entrar e morar na casa mais famosa do Brasil. Você perceberá que perderá o caráter para ter vida dupla, duas caras, duas máscaras em frente às câmeras da reputação social. Essa é a diferença entre assistir filme e BBB: Há filmes que você não passa de telespectador passivo. Já no BBB, como há interatividade, você é mais um na casa. E este é o grande perigo.

Assista o BBB e será despertado ódio por pessoas que você nunca teve um relacionamento pessoal. Então, você vai perceber que estará avaliando a pessoa, não pela transparência do caráter, mas pela aparência da imagem da reputação de um “reality show” de falsidade. Já percebeu os critérios que você usa para julgar e colocar as pessoas no paredão e excluí-las da sua vida?

Assista o BBB e perceba como você gasta muito dinheiro com ligações para participar diretamente da casa e excluir quem você não gosta. Por que você não usa esse dinheiro para ajudar alguém e/ou consagrar para a obra de Deus? Você já percebeu que a ligação é para expulsar alguém da casa? Percebeu que a ligação é uma arma de guerra contra quem você quer matar? Percebeu que o BBB te torna, no coração, um homicida virtual e midiático? Percebeu que você aprenderá a colocar as pessoas no paredão de execução quando você não gostar mais delas?(Des)ligue-se de alguém para matá-lo. Esse é o lema do BBB. Quer aprender? Então ligue. E assim faça um chacina no paredão de execuções.

Assista o BBB e perceba que a tua torcida sempre dá mais audiência para quem é mais safado, vingativo, traidor, malandro, dissimulador, mesquinho, egoísta, bêbado, erótico-sensual.

Assista o BBB e perceba que todos os jogos fabricam um ambiente de partidarismo, panelinha, fofoca, traição, guerrilha, armadilha, manipulação, bajulação, ciúmes, ira, ambição egoísta, discórdia, inimizade, rivalidades, inveja, glutonaria, orgias; enfim, um ambiente perfeito para as obras da carne (Gl 5:19 – 21).

Assista o BBB e você não vai encontrar amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, amabilidade e domínio próprio (Gl 5:22 – 26); pois o fruto do Espírito de Jesus não dá pontos no Ibope. Você acha que Jesus participaria e/ou assistiria todos os dias o BBB?

Assista o BBB todos os dias e pergunte a si mesmo: Por que o BBB me atrai tanto? Por que priorizo na minha agenda assistir o BBB e não reservo o mesmo tanto de tempo para orar e ler a Bíblia? Por que dou mais audiência a brigas, discórdias, vingança e barracos no BBB do que uma boa conversar de amor, perdão e comunhão com a família e amigos? Por que prefiro escutar as mensagens de intrigas, traição, bajulação e vingança do que cultuar a Deus na igreja com meus irmãos? Acredito que o BBB revela a natureza pecaminosa do ser humano. E além de revelar, o BBB desperta, incentiva e aprova o pecado.

Assista o BBB e, inconscientemente, transfira tudo o que você aprendeu para sua casa, trabalho e igreja. E desse jeito você fará uma grande guerra. É assim que você quer conviver com as pessoas?

Enfim: Assista o BBB e transforme sua televisão no vaso sanitário da Globo que descarrega toda diarréia do Diabo na sua casa, mente e nos seus relacionamentos.

Pense nisso!

Em Cristo, que nos fez irmãos pelo alto preço do seu sangue derramado na cruz e não "Big Brothers" que derramam o sangue um do outro para ganhar a todo custo um milhão de reais.

Jairo Filho

Veja o texto na íntegra em: www.blogdojairofilho.blogspot.com

25.1.09

Brincando com os Cavalos

Tive o privilégio de crescer em um sítio e, entre a idade de 8 e 11 anos tive dois cavalos, era responsável por cuidar deles, tirar os carrapatos, limpar, passar remédio nas mordidas de morcego e, principalmente, levá-lo para onde tivessem verdes pastos. Essas eram as condições para eu poder brincar com ele. Nunca tive uma cela e nem cabresto, às vezes montava nele com uma corda e cavalgava meio sem direção. O fato de eu deixar ele me levar era a nossa brincadeira, era o que nós dois gostávamos. E o mais fantástico é que quase sempre ele me levava a um lugar que eu não conhecia.

Certa vez, tomei um coice e até uma mordida dele e o cara que nos vendeu falou que era porque eu não estava montando nele com o arreio e ele estava ficando desacostumado e voltando a ter vontade própria. Só comprando um arreio para domá-lo de novo.

Esta experiência que tive, brincando com os cavalos, me ensinou muito sobre hermenêutica. Vou explicar:

A pretensão moderna em dissecar a palavra de Deus de uma forma científica se tornou ineficaz pedagogicamente e de instrumento de transformação.

Não sei por que a maioria dos professores nas escolas nos ensinou que somos maiores que os textos só porque somos os intérpretes. Ler se tornou sinônimo de domínio. Como um cavaleiro domina o seu cavalo na arena de um rodeio, a hermenêutica se tornou o cabresto das letras e o premio é dado para aquele que demonstra mais habilidade em domar o cavalo.

Assim, vamos até o texto para analisá-lo de forma científica e confundimos neutralidade da pesquisa com frieza. Com isso, matamos as poesias, os contos, as narrativas, as parábolas, os textos apocalípticos, entre outros. A forma com que as escolas nos ensinaram a ler, só me serve para ler jornal.

Quero regredir a minha infância e brincar com os cavalos, voltar aos tempos em que a bíblia era lida para mim, assim como foi para os primeiros ouvintes do texto bíblico, onde não sou o domador de cavalos e sim o menino que brinca com o cavalo, que o monta sem superioridade, em uma confiança mútua, sem achar que conhece o caminho.

Quando ouvia as histórias como criança, na frente dos meus olhos já não estavam mais as letras como hoje estão e sim a imaginação, os sonhos que transformavam as palavras em imagens.

Quero ouvir Salmos como ouço Vinícius de Moraes, que narrem o livro de Gênesis como foi narrado Indiana Jones, quero imaginar Apocalipse como um gibi de manga, ouvir as parábolas contadas num banquinho de praça por Forest Gump, receber as regras de Levítico lidas em alta voz por um juiz de tribunal sério e inteligente, ser sussurrado cantares por minha amada e, abrir o e-mail, indevidamente, que Paulo mandou para Timóteo.

Quando ia brincar com os cavalos, só porque não estava domando-os, não significava que estava desrespeitando ou os rebaixando, estava apenas deixando-os ser o que são: cavalos.

Eu sei que, assim como brincar com os cavalos, ler a bíblia dessa maneira é bobeira, coisa de criança. Hoje somos adultos e temos que entrar na arena para que todos possam ver a nossa virilidade.

Mas...Não custa nada sonhar!

29.12.08

Fé e Obras - Tiago 2:14-17 e Efésios 2:8-10

Repito e tornarei sempre a repetir quando for necessário: A Religião ensina que devemos fazer boas obras para ser salvo. Mas o evangelho ensina que somos salvos pela graça para fazermos boas obras que evidenciam nossa salvação.

Infelizmente isso não tem sido entendido pelos evangélicos. De um lado, temos aqueles religiosos extremados: Fazem muitas boas obras de caridade na esperança de serem perdoados de seus pecados e garantirem seu terreno no paraíso eterno. E de outro lado, aqueles que dizem que são salvos pela graça, mas não fazem nada para evidenciarem sua salvação, regeneração, conversão e que são discípulos de Cristo para o mundo.

Os dois textos citados acima são claros e acabam com esses extremos da religião: Pela graça somos salvos; e por isso, fomos criados em Cristo Jesus para fazer boas obras. Sendo assim, aquele que diz ter fé e não a evidencia pelas suas boas obras, essa fé está morta. Este nunca foi salvo. E aquele que diz que contribui para comprar a salvação, anula a graça da cruz de Cristo, nunca foi salvo de si mesmo nem contribui com generosidade incondicional; mas sim, faz doações com segundas intenções, a saber, ganhar créditos no céu para ser salvo.

Aplicando esses textos a tudo o que estamos sabendo sobre a tragédia no estado de Santa Catarina, não podemos cruzar os braços na inércia, exclusivamente dobrar os nossos joelhos e orar com fé, despedindo nossos irmãos alagados dizendo: “Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos”. Nem muito menos podemos dizer: “Vamos todos fazer caridade para que Deus no dê sua vida eterna”. Nem muito menos jogar esse sofrimento humano para a “espiritosfera” e fabricar uma batalha espiritual ilusória, dando gritos de ordem contra os demônios das tempestades, nem soltar verbos imperativos aos quatro ventos contra o demônio dos alagamentos. Não podemos fazer isso de braços cruzados, como sublimação dos demônios da indiferença que estão possuindo o coração de muitos religiosos evangélicos que preferem subir nos trio-elétricos na marcha ré do evangelho e soltar suas vozes nos púlpitos e palcos dos shows gospel a estender a mão e levantar os caídos e desesperados de Santa Catarina. Acredito que tem muitos evangélicos dizendo uma coisa ou outra; ou todas elas.

Também, essa não é a hora de fazer uma teodisséia acerca das chuvas, alagamentos, desabamentos, desabrigados e mortes. Fazendo uma teodisséia ou não, o sofrimento humano estará sempre inserido em nosso planeta. Essa não é a hora de ficar na arquibancada analisando o que acontece no campo alagado da vida, nem se esconder nas salas de ar-condicionado escrevendo sobre tragédias, nem muito menos ser inflamado pela verborragia hipócrita do discurso do “faça o que digo, mas não faça o que faço”.

Na verdade, essa é a hora de enxergarmos Jesus no rosto do oprimido e encorajá-lo, na vida do desabrigado e acolhê-lo, naquele que está nú e vestí-lo, nos que tem fome e alimentá-los; enfim, servir às pessoas servindo a Cristo, para que “assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai, que está no céu.” Mt 5:16.

A comunidade cristã onde convivo já arregaçou as mangas e está contribuindo com os nossos irmãos de Santa Catarina. Espero que a motivação da contribuição não seja para merecer a salvação nem para criar um ringue de competições e comparações para saber quem dá mais no leilão da justiça própria; mas sim, doar porque já somos salvos pela graça; e por isso, somos chamados para contribuir pela graça de Deus com os necessitados.

Em Cristo, que nos ensinou a graça de doar doando

Jairo Filho

Veja o texto na íntegra em: www.blogdojairofilho.blogspot.com

25.12.08

Os únicos filhos malditos

O filho, na perspectiva cristã, é um presente de Deus para o casal, é a melhor herança que se pode ganhar. É o selo, o fruto de uma só carne, a expressão do amor do homem e da mulher. Todavia, muitas vezes no afã de querer proteger demais o nome da instituição, as igrejas conseguem tornar maldito tudo o que foi abençoado por Deus, assim ocorreu com o sexo, com a música e com os filhos.

Espantosamente cresce o número de moços e moças que se tornam pais e mães antes de se casarem, e não se assuste, pois isso cresce espantosamente nas nossas igrejas evangélicas. E todos sabem o que acontece a estes. Eles são altamente recriminados pela igreja, pois se existe um pecado imperdoável esse pecado é o sexo. É exatamente isso que acontece com a maioria dos casais de namorados que na sua juventude transam descuidadosamente e depois descobrem que estão à espera de um filho. Eles são disciplinados fortemente pela igreja. O fato se torna vulgar, todos sabem, todos comentam. Eles passam a ser olhados de forma diferente nos cultos. Muitos amigos se afastam e pouco a pouco eles se distanciam da comunidade deixando de congregar com os irmãos.

Na tentativa de jogar a água suja, a igreja joga o bebê junto. Isso ocorre literalmente, pois os filhos desses casais nascem sob uma maldição, nascem com o estigma de um descuido dos pais, nascem como algo que aconteceu e não deveria nunca ter ocorrido. Filhos que recebem, às vezes, o ódio da mãe e do pai por ser a causa da vergonha de uma falha em uma hora errada. Filhos que recebem a rejeição muitas vezes da própria família. Filhos e Filhas que se tornam malditos perante o mundo religioso.

Lembro-me do dia em que minha irmã foi contar para o meu pai que estava grávida. Ela estava morrendo de medo, pois meu pai era líder na igreja e isso soaria muito mal para sua reputação. Meu pai estava fazendo uma vitamina para o café, minha irmã se aproximou e desabafou em meio às lagrimas. Meu pai não respondeu nada, permaneceu em silêncio com a cara fechada. Nesse instante, toda a casa foi tomada por um silêncio, só ouvíamos o suspirar de minha irmã. Após alguns minutos, meu pai se dirigiu a ela com um copo de vitamina dizendo: Toma isto, pois irá fazer bem para o meu neto. Imediatamente, lembrei-me das palavras de Jesus: “Se vós que sois mal sabem dar bons presentes aos seus filhos imagine Deus que é Bom...” (Mt 7.11).

Não quero defender a idéia de que ser pai antes de casar é correto, mas estou cansado de ver adolescentes e jovens morrendo espiritualmente por causa da intolerância religiosa que valoriza a moralidade em detrimento da misericórdia.
Reafirmo a benção que é ter filhos e filhas no momento oportuno dado por Deus que é o casamento. E que em Deus somos abraçados pelo arrependimento e restaurados pela graça, e Nele nós e nossos filhos nos tornamos Bem-Aventurados!

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