8.9.08

Liderança não tão corajosa

Faz tempo que venho ouvindo falar do famoso Bill Hybels e da mega igreja que ele tem nos Estados Unidos. Aproveitando um trabalho da pós que estava fazendo em Teologia Urbana, comprei o livro “Liderança Corajosa” para fazer uma resenha.

O livro é muito bom e dá muitas dicas para quem é líder de qualquer ministério eclesiástico. Mas, sabe como eu sou... Aprendi a não engolir o que eu leio sem antes mastigar.

A certa altura do livro o senhor Hybels escreve que para ser de sua equipe, o líder precisa ter os três “C”: Competência, Caráter e Compatibilidade.

Logo que li pensei: nossa, realmente, como seria mais fácil se toda a minha equipe tivesse os três “C”. Que fossem competentes em todas as tarefas que recebessem e, que eu pudesse confiar plenamente no caráter de cada um e que tivessem compatibilidade plena com as idéias e projetos que Deus me deu.

Mas esse é o problema de tratarmos a igreja e os ministérios dela do mesmo jeito que o mundo corporativo. Tudo parece tão certinho e bem feito, mas quando passamos no crivo da vida de Jesus Cristo, vemos que os resultados a qualquer custo não eram um valor que ele viveu ou pregou. Isso diferencia radicalmente o mundo corporativo e a igreja que Deus planejou.

Vemos nos exemplos de Jesus e seus discípulos os três C caírem por terra. A competência nunca foi o forte dos discípulos, depois de muito tempo com o mestre não conseguiam expulsar demônios (Mt 17:16), nem curar, ou dar de comer ao povo (Mc 6:37). Quanto ao caráter, Pedro não estaria na equipe depois de ter negado Jesus três vezes (Mt 26:34), Natanael por ser racista com os Nazarenos (Jo 1:46) e, Tiago e João querendo passar a perna nos outros para ser o maior de todos (Mc 10:37). Quanto à compatibilidade acredito que todos não passariam no teste, pois até a ressurreição não tinham nenhuma compatibilidade com as idéias do mestre, uns queriam que ele fosse rei e Cristo falou que não, outros queriam que o reino chegasse por espada e Cristo falou que não; Jesus falou que iria para cruz e eles não queriam deixar e, principalmente Judas que, mesmo com a clara incompatibilidade em todas as áreas, Jesus andou ao seu lado até a última hora dando a oportunidade para ele se arrepender.

Pois é, seria muito bom ter uma equipe do jeito que Bill Hybels falou. Como cresceriam as nossas igrejas e os nossos ministérios! Mas Hybels fala para encontramos pessoas competentes, Jesus pessoas que querem viver o reino de Deus. Hybels quer apenas os de caráter, Jesus pessoas que saibam o que é certo e que saibam se arrepender. Por último, Hybels fala que o líder precisa ter compatibilidade com você e Cristo fala que tem apenas que estar disposto a amar.

Mesmo o livro tendo várias coisas boas e que podemos aproveitar, está posto a mesa: de quem você vai querer seguir o exemplo ministerial? Posso garantir que o resultado de um é de crescimento rápido e o outro mais devagar, mas dura há mais de dois mil anos. Lembrando que o líder da segunda opção acabou morto!

2 comentários:

Jairo Filho disse...

Marcos,

Concordo 100% com o que você disse. Parabéns pela resenha crítica.

Também aprendi a mastigar idéias antes de engoli-las.

Realmente, muitos pastores têm engolido goela a baixo quaisquer métodos empresariais de ministério para engordarem seus egos com sucesso e/ou suas contas bancárias com R$ e/ou seus templos com multidões de clientes.

Infelizmente, esses pastores corrompem seus estômagos engolindo tudo sem o discernimento do ministério de Jesus. No fim das contas, adoecem com uma úlcera na alma e no ministério.


Mas, também...

É trágico diagnosticar que existem alguns magros remanescentes pastores segundo o coração de Jesus que são forçados e pressionados – seja pela liderança de sua igreja local e/ou por todos os membros de sua igreja e/ou pelos outros concorrentes-colegas-pastores e igrejas - a engolir essas estratégias do mundo corporativo e vomitá-las no ministério de sua igreja para fazê-la crescer.

Estes remanescentes pastores são forçados a terem um ministério grande e de sucesso apenas para não saírem de suas igrejas e sobreviverem com um sustento básico, uma vez que, na prática, esses muitos pastores dependem financeiramente de suas igrejas.

E a igreja e sua liderança, ignorantes quanto ao modelo de ministério de Jesus, pressionam o pastor para que ele seja um executivo-empresário-empreendedor-eclesiástico para que a igreja se torne numa mega-organização.


O que dizer para um pastor que está fazendo um regime desses métodos empresariais-bussines-corporativo-capitalista?

O que dizer para um pastor que está indo na contramão do Hybels, mas tem que sobreviver financeiramente daqueles que admiram o jeito Hybels de ministério e pressionam o pastor a imitá-lo?

Muitos saem das aula de teologia saudáveis por mastigarem e engolirem os ensinamentos do ministério de Jesus, uma vez que em uma sala de aula tudo se resolve perfeitamente. Mas porque, quando se tornam pastores na vida real da igreja local, ficam obesos, empanzinados e adoecidos pela úlcera e gastrite dos métodos empresariais de ministério, apenas para sobreviverem em suas igrejas a fim de dar de comer a seus filhos?

Será que a igreja não permite mais o pastor mastigar antes de engolir? Porque a igreja dita sempre o que o pastor deve engolir?

Porque o pastor engole tudo sem mastigar apenas para sobreviver às custas da igreja?

Eis a questão...e mais uma crise dos pastores...


Em Cristo, nosso supremo pastor em que os "três C" é trocar a competência da justiça própria pela graça da CRUZ, um caráter irrepreensível pela transformação enquanto está a CAMINHO do discpipulado, e a compatibilidade pelo amor e serviço às pessoas em suas CRISES.


Jairo Filho.

cursos de teologia disse...

Parabéns aos responsáveis pelo excelente e abençoado conteúdo deste blog!

Abraços e continuem na abundante Graça!!!

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