29.11.07

Ecos do Vale

Ecos...
Meditação intermitente...
Ecoar ressonante...
ECO, Eco, eco...

Reflexos inconclusos, mas determinados,
Intermináveis, mas intertecidos.
Entretecem internos intentos...
Essa é a intenção, tensa e intensa.

Vale...
Escuro e denso nos envolve...
Gesta entre silêncios e fluxos.
Ventre que em dores pare...
E entrega, em choro, a vida... À Vida!

Como discernir entre o encanto e a sombra da morte?

Mas, vale... Mais vale... mais vales...

De que Vale os ecos?
De quem valem os ecos?
Ecoam por menos que valham.
Mas, valem... mais ecos, mais vales...


"Um lamento de cortar o coração
Ecoou no vale, todo mundo ouviu"*


*Trecho retirado da música "Estima", de Stênio Marcius.

5 comentários:

Marcos Botlelho disse...

Vou começar esta vez!
Mesmo gostando de poesias, nem sei como comenta-lás!
Mas algo me chamou muito a atenção: "De que Vale os ecos? ...ecoam por menos que valham" ë a pura verdade, tudo que a gente reflete Vale algo, pro bem ou para o mal, mas vale. Mas se o eco vem do vale, ainda mais se for o do salmista, o que ecoar de la provavelmente sera algo de valor, pois no vale geralmente o coração esta mais aberto para ouvir a voz do criador!

Jairo disse...

Aí vai meu comentário...
Faço coro com o Marcos Botelho quando nossa atenção está mirada no valor do vale, bem descrito poeticamente pelo Gustavo da Hora.

Penso que em vez de perguntar por que temos que passar pelos vales da vida, é melhor perguntar sobre o valor do vale. Isso vale mais enquanto se caminha com Deus. Porque nossa alma vale mais enquanto crescemos com Deus no vale.

Porque...
O vale tem mais eco e valor quando a voz de Deus ecoa no vale.
O vale tem mais eco e valor quando a vida de Deus brilha no vale da sombra da morte.
O vale tem mais eco e valor quando Deus nos leva a fazer um pique-nique no vale.
O vale tem mais eco e valor quando Deus nos leva do vale para os montes de seu amor, mesmo ainda no vale.
O vale tem mais eco e valor quando o vale se torna o espelho da alma no silêncio e na solitude do coração despido.
O vale tem mais eco e valor quando o eco de Deus no vale, vale mais que o vale e mais que nosso eco de lamentação.

Assim...
Que o eco de Deus no vale seja o grito de Deus para o nosso coração surdo.
Escutem o eco do vale na voz da Palavra de Deus.
Seja você também o eco de Deus nos vales da vida.
E seja o teu eco de lamentação e fé ouvido pelos quatro cantos do vale.
Assim vale mais a pena (sobre)viver no vale.

Parabéns, Gustavo da Hora pelo texto. Os nossos 4 anos no vale ecoam com muito valor no ecos do vale.

Homem Pensante! disse...

Gustavo, dahora.

Gostei da forma como você desenha o texto com as palavras, exemplo: ECO, Eco, eco.
Através disso é possivel visualizar a idéia de maneira criativa. Confesso que li três vezes para tentar entender e mesmo assim acho que vou ter qeu ler novamente.
Através da leitura a imagem qeu vem em minha mente são os quatro anos que passamos no vale do JV, no qual produzimos ecos de dores, alegrias, sonhos, frustrações. E por menos que valham, como você mesmo diz: "Mais ecos, Mais Vales"

Fábio m. Mendes disse...

A pertinência poética retratada no texto faz jus aos conflitos existenciais que enfrentamos pelos vales da espiritualidade cristã. Essa crise é expressa mais intensamente no verso "como discernir entre o encanto e a sombra da morte?". Os gritos e grilos, os lamentos e o contorcer-se do poeta frente à realidade desafiadora aponta-nos que o caminho da maturidade cristã passa pelo viés do rompimento. Estar no vale é deixar-se, é sofrer a insegurança, encarar o medo mais profundo, re-visitar valores e se expor à possibilidade da perda. Este rompimento, no entanto, não promove a morte, mas a vida: "ventre que em dores pare.... e entrega, em choro, a vida (...)". Crescer em Cristo é ter que necessariamente atravessar vales. E que bom que o Pastor sempre ouve nossos ecos - presentificando-se ali em graça!!!

Homem Pensante! disse...

Muitas das propostas evangelisticas atuais não assumem em si a figura do vale, pois esta ocorre somente em cristãos com um baixo índice de fé. É melhor focalizar a terra prometida ao invés do deserto.

Precisamos urgentemente relembrar que no deserto devemos depositar a nossa fé na promessa da nova terra, e quando chegarmos à terra da promessa devemos lembrar dos momentos no deserto.

"Ele me conduz em pastos verdejantes".
"Mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei".

Ecos de um mesmo poeta.

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