18.3.08

Quando Jorge Amado se encontra com a Casa de Davi

Não divido a música em evangélicas e seculares, prefiro dividir em músicas boas e músicas ruins. Pois existem muitas músicas chamadas “gospels” que falam a palavra Jesus, mas não condizem com o evangelho e, outras músicas chamadas seculares que são a pura beleza do amor e da vida.

Ouvi uma música que conta a história de uma mulher que se apaixona por um homem e que a única coisa que ela deseja é ele. No fim eles dançam juntos por causa do amor que ele lhe deu.

Por Causa do Teu Amor
O teu amor me alcançou
O teu olhar me conquistou
A tua voz me encheu de alegria
Com novo óleo me ungiu
Com linho puro me vestiu
Com jóias me cobriu, Senhor
Meu desejo é te abraçar, meu amado
Meu maior prazer é te beijar, Jesus

Meu coração, alegre,
Explode de tanta paixão,
E gera em mim uma nova canção,
E canto por causa do teu amor
Minha paixão, cresce
Quando em adoração,
Sinto o afago do teu coração,
E danço por causa do teu amor *1


É interessante que em milhares de igrejas esta música é cantada, mesmo vendo que se tirar o nome Jesus, que nem se encaixa muito na melodia, ela é uma bela música de uma mulher para um homem. É uma bela poesia romântica no estilo de cantares. E que as igrejas não condenam, pois descreve simbolicamente o encontro da noiva com o noivo, ou seja, da igreja com Jesus.

Gosto de pensar que a Bíblia narra a história de amor entre um príncipe e uma prostituta, é assim que Deus descreve em Oséias. O príncipe vai até ela em forma de plebeu, mas o cafetão não o deixa levá-la. Foi quando, na briga entre os dois, o cafetão mata o príncipe. Mas o rei ressuscita ele que mata o cafetão, pega a prostituta, dá roupas novas e a leva para o seu palácio. Lá eles se casam e no baile do casamento dançam a noite toda.

Dizem que o que Jorge Amado escreveu não tem nada haver com o evangelho. Eu concordo sim, mas toda regra tem uma exceção.

Ao ouvir a música que Djavan fez com a letra dele, pensei: Deus é maravilhoso.

Alegre menina
Oh! que fizeste, sultão, de mim alegre menina?

Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para serví-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, e a chamei de rainha

Oh! que fizeste, sultão, de minha alegre menina?

Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro prá se mirar
Só desejava o sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata prá repousar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar
Só desejava o amor dos homens prá bem amar

No baile real levei a tua alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira. *2


Não tem como negar, o que Deus faz com a igreja é o mesmo que um sultão faz com a prostituta. Foi exatamente esta a história que Salomão escreveu em Cantares.

Obrigado, Senhor, por nos resgatar em nossos pecados, nos vestir com roupas do palácio e dançar conosco, a tua noiva.

*1 - Casa de Davi - Composição: Davi Silva e Mike Shea
*2 – Djavan -Composição: Jorge Amado e Dorival Caymmi

6 comentários:

Fábio M. Mendes disse...

Texto ousado que propõe o encontro com a graça de Deus pelo viés da sensibilidade humana. O desejo nas praças ressoa o ardor de toda vida que quer mais vida. Nosso critério quantop à bondade e beleza na poesia humana deve considerar a busca sincera por algo que extrapola nossas dimensões limitadas - esse é o diálogo em prol da vida.

Gustavo da Hora disse...

É isso aí Marcos, gostei da divisão: músicas boas X músicas ruins.

É evidente que existem vários critérios subjetivos para classificarmos uma música como boa ou ruim. Particularmente, gosto de apreciar desde a poesia, o ritmo, harmonia, melodia, a complexidade ou a singeleza da combinação desses elementos... O fato é que, no massificado e caricatural "mercado evangélico" (com o perdão da incompatibilidade de termos...), encontramos uma série de músicas que eu me recuso a cantar.

Mas, graças à soberania da graça divina, o nosso Deus sempre continua a inspirar pessoas como nós (sua imagem e semelhança, ainda que manchada e adulterada) para proclamar como pedras gritantes a sua Misericórdia e Amor gracioso...

Ah, obrigado Jorge, graciosamente Amado por Deus, assim como todos nós, quer reconheçamos esse amor, quer não.

[segue um link para ouvir a música]

http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&nomeplaylist=006337-0_04<@>Novelas<@>Alegre_Menina<@>Djavan_<@>0223<@>Djavan_<@>SOM_LIVRE<@>Globo

Marcos Botelho do JV disse...

Gustavo, adorei o trocadilho que vc fez com o nome do Jorge Amado.

Anônimo disse...

Confesso que no primeiro momento, quando li o título: “Quando Jorge Amado se encontra com a Casa de Davi”, pensei: “Nossa! O Marcos vai acabar com a música gospel dos apaixonados. Ele vai rebaixar o atual modismo da música adoração-erótica a MPB de um poeta baiano macumbeiro”. Mas aconteceu o inverso. O Marcos conseguiu nos mostrar a imago dei e a graça comum de Deus na poesia do poeta baiano e ver que nem sempre uma música erótico-espiritual da “Casa de Davi Silva e Mike Shea” é tão cheia de graça assim.

E por isso, aprendi mais uma vez algumas lições nesse texto do Marcos:

1. Aprendi a dividir meu repertório em músicas boas ou ruins quando me liberto do dogma da religião que resume tudo na vida à moralidade do certo e/ou errado excludentes entre si.

2. Aprendi que existem músicas “evangélicas tão seculares” e músicas “seculares tão evangélicas” ou nem uma nem outra: há simplesmente a música em si como obra de arte que é a expressão do coração do artista, mesmo que esse artista não reconheça o dom da música do Grande Artista. Isso é graça de Deus freqüentando também a casa de Jorge Amado e Dorival Caymmi.


Minha oração é que os compositores citados reconheçam essa graça de Deus na música e na vida.

P.S: Recomendo a leitura do capítulo: “MPB, graça comum e imago dei” – do Ed René Kivitz em seu livro “Outra Espiritualidade”. Lá você vai encontrar outros amados por Deus e pela MPB que nos levam a amar a Deus e a MPB.

Parabéns, meu irmão amado Marcos Botelho, pela graça desse texto.

Jairo Filho

Anônimo disse...

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Calebe Ribeiro disse...

O homem carrega dentro de si a necessidade de ser resgatado da sua realidade. A grande maioria das canções que denominamos seculares sempre carregam consigo o desejo de um lugar ao sol ou sempre querem fugir para outro lugar.
A poesia muda, mas o desejo é o mesmo: sair da realidade, encontrar-se em outro lugar, descobrir a razão de se existir, saciar a necessidade de se sentir inutil.

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