25.12.08

Os únicos filhos malditos

O filho, na perspectiva cristã, é um presente de Deus para o casal, é a melhor herança que se pode ganhar. É o selo, o fruto de uma só carne, a expressão do amor do homem e da mulher. Todavia, muitas vezes no afã de querer proteger demais o nome da instituição, as igrejas conseguem tornar maldito tudo o que foi abençoado por Deus, assim ocorreu com o sexo, com a música e com os filhos.

Espantosamente cresce o número de moços e moças que se tornam pais e mães antes de se casarem, e não se assuste, pois isso cresce espantosamente nas nossas igrejas evangélicas. E todos sabem o que acontece a estes. Eles são altamente recriminados pela igreja, pois se existe um pecado imperdoável esse pecado é o sexo. É exatamente isso que acontece com a maioria dos casais de namorados que na sua juventude transam descuidadosamente e depois descobrem que estão à espera de um filho. Eles são disciplinados fortemente pela igreja. O fato se torna vulgar, todos sabem, todos comentam. Eles passam a ser olhados de forma diferente nos cultos. Muitos amigos se afastam e pouco a pouco eles se distanciam da comunidade deixando de congregar com os irmãos.

Na tentativa de jogar a água suja, a igreja joga o bebê junto. Isso ocorre literalmente, pois os filhos desses casais nascem sob uma maldição, nascem com o estigma de um descuido dos pais, nascem como algo que aconteceu e não deveria nunca ter ocorrido. Filhos que recebem, às vezes, o ódio da mãe e do pai por ser a causa da vergonha de uma falha em uma hora errada. Filhos que recebem a rejeição muitas vezes da própria família. Filhos e Filhas que se tornam malditos perante o mundo religioso.

Lembro-me do dia em que minha irmã foi contar para o meu pai que estava grávida. Ela estava morrendo de medo, pois meu pai era líder na igreja e isso soaria muito mal para sua reputação. Meu pai estava fazendo uma vitamina para o café, minha irmã se aproximou e desabafou em meio às lagrimas. Meu pai não respondeu nada, permaneceu em silêncio com a cara fechada. Nesse instante, toda a casa foi tomada por um silêncio, só ouvíamos o suspirar de minha irmã. Após alguns minutos, meu pai se dirigiu a ela com um copo de vitamina dizendo: Toma isto, pois irá fazer bem para o meu neto. Imediatamente, lembrei-me das palavras de Jesus: “Se vós que sois mal sabem dar bons presentes aos seus filhos imagine Deus que é Bom...” (Mt 7.11).

Não quero defender a idéia de que ser pai antes de casar é correto, mas estou cansado de ver adolescentes e jovens morrendo espiritualmente por causa da intolerância religiosa que valoriza a moralidade em detrimento da misericórdia.
Reafirmo a benção que é ter filhos e filhas no momento oportuno dado por Deus que é o casamento. E que em Deus somos abraçados pelo arrependimento e restaurados pela graça, e Nele nós e nossos filhos nos tornamos Bem-Aventurados!

4 comentários:

Jairo Filho disse...

Calebe, graça e paz, mano!

O que aconteceu com a tua irmã, aconteceu com a minha em 2002.

Na época, muitos pastores e líderes se afstaram de meu pai (que é pastor) e o condenaram por não ser um bom "paistor". Falaram que ele não tinha liderança em casa; quanto mais na igreja?E o que falar do que minha irmã sofreu? E nós?

E hoje, no meu ministério pastoral, escuto de vez enquando muitas dessas notícias de gravidez fora do casamento.

Muitas vezes, tenho visto a cena se repetir.

Acredito muito na graça de Deus que não nos restribui conforme nossas iniquidades (Sl 103) e na suficiente justificação (Rm 5:1 e 8:1) que nos chama para a santidade (Rm 6).

Mas, infelizmente, a igreja se cala e se camufla diante de pecados não-sexuais, mas grita apontando o dedo condenatório na cara de quem caiu em pecado sexual.

Mas qual é o pecado mais escandaloso?

Há pecados piores do que outros?

Ninguém nasce por acaso.

Somos todos nascidos pela graça.

Somos presentes de Deus.

Assim, ninguém - nenhum filho - deve ser rejeitado por nascer de uma gravidez não desejada, não planejada ou inesperada.

Acredito que o mundo religioso comete aborto moral quando condena para sempre as gestantes indesejadas.

Esse teu texto nos fez lembrar da graça e quanto a igreja está longe dela.

Em Cristo, o filho de Deus nossa vida em abundância.

Gustavo da Hora disse...

Puxa, Cacá... muito bom esse texto!
Ressoou bastante no meu coração.

Obrigado (também ao Jairo) por compartilhar sua vida familiar de maneira a expressar a graça e a misericórdia do olhar divino sobre nós!

Que sejamos cada vez mais encorajados a caminhar lado a lado com aquele que nos orienta, nos corrige com seu amor incondicional. Aquele que nos ama a ponto de dar-se por nós, mesmo sabendo das nossas limitações e que está sempre pronto a estender a mão a todos aqueles que sabem que precisam dele.

Eis aqui um desses necessitados,
Gustavo da Hora

Marcos Botelho do JV disse...

Calebe, isso foi forte, o texto com mais coração desse blog! Cara muito emocionante!
Parabéns!

José disse...

A Paz irmão Calebe e pra todos os outros também.

Parabéns pelo texto. Copiei e colei em meu perfil no orkut pra dar enfase a todos os meus amigos e pra todos os jovens que lidero na igreja.

A igreja atual tem a mesma atitude arcaica de 1900 e antigamente. Continua camuflando seus pecados domesticos e "denunciando" os pecados ibopes como no caso, a gravidez pré-casamento.

Na igreja onde congreguei alguns anos vi não apenas um, mas vários jovens se perdendo como resultado do falso moralismo e omissão da igreja de Cristo em relação ao pecador.

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